terça-feira, 20 de junho de 2017

Blog Entre Livros e Prosa



O meu encontro com esse livro aconteceu da forma mais linda possível, foi em uma fila na bienal do livro de 2016 em são Paulo.

Conheci a escritora Malerey, uma pessoa cativante, de voz suave e penetrante. Ela nos apresentou seus livros e quando colocou em minhas mãos O Beco da Ilusão não quis mais soltar, sabia que algo me aguardava.

Demorei um pouco para ler, pois já havia outros na lista de leitura então... chegou a vez dele.

Um livro rico em detalhes e informações surpreendentes...

A história começa em 1931. Narrada pela querida Yidish, uma menina judia de família humilde e bem conservadora.

As características de Yidich se destacava dos demais irmãos ela não sabia o motivo, mas também não tinha coragem de perguntar para seus pais. Ela recebia o amor como os outros irmãos e esse era motivo suficiente para que nada pudesse colocar em seu coração qualquer dúvida.

Yidish, é esperta e não precisava de muito para entender as coisas que a rodeava.

Ela é uma menina com grandes sonhos...

Seu pai recebe uma herança de um tio que morava na Alemanha, e por esse motivo eles tiveram que se mudar para lá.

Logo quando chegaram ao seu destino final, na Alemanha, ela se encanta com uma cena que despertou o desejo de um grande sonho. Era o desejo mais oculto em seu coração. Ela não sabia se poderia um dia realizar tamanho desejo, mas isso ficaria guardado e quando fosse o momento ela realizaria.

Sua adaptação foi mais fácil do que ela tinha imaginado, logo conheceu os seus eternos amigos Erdmann e Aton, os amigos que o destino lhes apresentava para que um dia ela pudesse ter certeza que seria para toda a vida.

O tempo passou e veio a guerra... Momento esse de muita dor para Yidish... Tempos difíceis ela teria pela frente... Ela precisaria de muita força... Viveria percalços e lamentos... A morte passaria em seus olhos...

Ela passara tempos de muita angustia, porem o tempo e nem as dificuldades lhes tiraram o amor de seu coração. Ela jamais saberia se viveria para concretizar esse amor.

Foi preciso, somente um reencontro para que ela tivesse a certeza que o amor seria para toda a vida. Que nem mesmo a guerra foi capaz de apagar a chama em seu coração. Podemos dizer que foi esse amor que a salvou em momentos mais difíceis, podemos dizer que foi esse amor que a levou para os braços de seu amado.

Esse é aquele livro maravilhoso de um final surpreendente.

Obrigada, Mallerey.

Indico a todos o livro O BECO DA ILUSÃO.



sexta-feira, 26 de maio de 2017

Por Aline Silva - Blog Livros do Coração

Antes de iniciar a resenha, deixarei esse trechinho do livro para reflexão:

“A saudade enlouquece, embriaga, é um quebra-cabeça com peças faltantes e sua cura só é possível estando ao lado de quem a causa”. 

A princípio, esse trecho pode não parecer fazer sentido mas, até o final do livro te garanto que fará.

Em BECO DE ILUSÃO, conhecemos a história de Yidish, uma menina inteligente de 9 anos e super interessada em saber o que acontecia ao seu redor. Ela e sua família moram em Karnobat, localizada na Bulgária.

Um dia seus pais recebem a noticia que haviam recebido uma herança de um irmão que a tempos não viam. Esse patrimônio é uma gráfica, em Berlim. Essa mudança acaba por se tornar uma injeção de animo para família, menos para sua mãe, que estava infeliz em ter que voltar para Berlim. O que será houve para que ela não quisesse voltar?

“(…) – Sonhos e paixões quase me arruinaram. Pelo resto da minha vida, carregarei a vergonha do meu passado…-Então ela jogou água fria na nossa curiosidade. – Bem, isso não vem ao caso, estamos falando sobre você. Não diga uma palavra ao seu pai sobre o que conversamos aqui. Entendeu?(…)” 

Berlim emanava a energia de uma nova vida. A chegada de Yidish foi marcada pela imponência do Opernplatz, um palco de vários espetáculos, e um deles, o Ballet, encantou Yidish.

“(…) Berlim agora não era pra mim só uma cidade encantadora, mas havia se tornado a melhor cidade do mundo. Ela havia me apresentado o balé. (…)”

O retorno a Berlim foi impressionante. As pessoas se sentiam livres. Tudo entrando nos trilhos. Escola nova. Negócio novo para a família. Para Yidish o máximo era ir ao Opernplatz ver os ensaios do ballet. Com suas idas frequentes, ela acabou conhecendo Anton, que se tornou seu melhor amigo e sempre fazia companhia para ela enquanto andava pelo prédio.

Ela não se contentou a ver somente o ensaios. Ela queria ver uma apresentação diante do público pois sentia magia do lugar.

No aniversário de Anton, ela conhece Erdmann, primo e o melhor amigo de Anton, fazendo despertar nela um sentimento estranho que não sabia identificar. Então passaram a ser amigos também, mesmo se estranhando de vez em quando.

Yidish queria ver uma apresentação de qualquer forma e para tanto, os três começaram a planejar um meio para isso acontecer. Os espetáculos aconteciam a noite e crianças não podiam sair a noite sem estarem acompanhadas. Assim, eles teriam que planejar tudo muito bem para que não fosse pegos pelos pais ou por algum adulto.

“(…) Saímos sem ninguém notar e, quando já estávamos na rua, Erdmann pegou a bicicleta e corremos feitos loucos em direção à Opernplatz para assistirmos à apresentação de balé. (…)”

Será que o plano deu certo? Será que a mágica das bailarinas é realmente gigante no palco?

Torci muito que desse certo… Com o passar dos dias os amigos não se viram, pois o país estava entrando em colapso. Por quê?

Então voltamos há 80 anos atrás. A Alemanha encontrava-se em desespero pois a econômica estava turbulenta com a perda da Primeira Guerra Mundial para França. O povo, insatisfeito com a atuação do governo, acaba nomeando Hitler como Chanceler (Chefe de Estado). Em seguida, uma sucessão de golpes, atos ilegais e assassinatos instalou uma ditadura. O presidente morreu e Hitler assumiu o controle total. Os seus alvo era judeus, americanos, negros, homossexuais, pessoas com doenças físicas, com Síndrome de Down, e ainda, aqueles do partido comunista e a resistência jovem.

Nesse período Yidish não ía mais à escola. Ela e seus familiares ficavam em casa escutando as noticias através de um rádio. Todos estavam preocupados com o rumo que as coisas estavam tomando. Os pais de Yidish tiveram todas as economias consumidas pelo altos impostos e a gráfica havia sido vendida por um preço inferior, deixando a família sem recursos nenhum.

“(…) Roubaram-nos a liberdade de expressão, tornando-nos fantoches na mão do Estado. Não podíamos falar nem escrever aquilo que pensávamos. Não podíamos ter uma opinião, ou, pelo menos, ela não poderia se tornar pública, existindo apenas na nossa mente. (…)”

Então a Noite dos Cristais acontece e Yidish é brutalmente arrancada do seu mundinho. A partir daí sua única companhia eram as incertezas de um futuro. Sua vida muda, dando a ela a experiência mais horrenda que poderia imaginar. Sua casa é invadida por soldados nazistas e ela é levada para um ônibus onde não cabia mais ninguém, mas os soldados nem se importavam.

“(…) Olhava desesperada para todos os lados, procurando um rosto conhecido no meio da multidão de sombras assustadas que se confundiam. Minhas expectativas de encontrar minha família foram frustradas mais uma vez. (…) “

Seu pesadelo começou quando ela se viu em um campo de concentração. Seus sonhos sendo massacrados um a um por tanta hostilidades impostas pelos soldados, principalmente por Hitler. Yidish convivia diariamente com o medo, incertezas, e acabou fazendo que esses sentimentos se tornassem aliados para continuar seguindo em frente, sobrevivendo, um dia após o outro.

A todo tempo eu me perguntava: Será que ela conseguirá ter seu sonho realizado? Yidish não é mais Yidish. Essa nova realidade a transformou por ver que não iria se salvar diante de tantos sofrimentos, mortes das suas “colegas” de cela, frieza nos olhos dos soldados.

Contudo, ela decide que quer viver! Que não vai morrer! Um campo de concentração não é suficiente. Ela passa por mais dois. Ainda sim, essa suas transferências eram sempre facilitadas por um “anjo da guarda”, que a estava ajudando, sem ela saber.



“(…) À medida que os meses se transformaram em anos, a centelha da esperança que o meu salvador viria me resgatar foi diminuindo. Esperei pelo soldado que Hinish disse que me procuraria e torci para que ele fosse tão real quanto o castelo, e me levasse para bem longe. Isso não aconteceu. A centelha perdeu o brilho e deixou de existir. (…)”

A vida de Yidish, que já havia dado um giro de 360°, novamente passa por uma revolução. Ao chegar ao campo de Ravensbruck, é enviada para uma casa de prostituição comandada pela Sra. Butterfly. As mulheres que iam para lá eram selecionadas para satisfazer os soldados, tanto daquele campo, quanto dos outros próximos. Essas mulheres já não tinham esperanças ou familiares. A única coisa que restava àquelas mulheres era o que comer e um lugar para descansar seus corpos maltratados por soldados. Yidish, desesperada, vendo que não tinha mais jeito, pediu até que morresse pra não ter que passar por aquilo. O que seus pais pensariam dela?!

Yidish, nessa altura, já havia dito vários nomes. Chegou a se perder por assumir tantas identidades diferentes. O último nome que ela recebeu foi Sarah Wainness, que a fez renascer das cinzas e ter suas esperanças de dias melhores cada dia mais concretas.


Será que o “Anjo da Guarda” se apresentou à ela? O que será que aconteceu com a casa de prostituição? Ela teve a oportunidade de reencontrar seus familiares?

Narrado em primeira pessoa, BECO DA ILUSÃO é um drama histórico que se passa na Segunda Guerra Mundial. Os detalhes são ricos e o leitor consegue facilmente se ambientar nos momentos que Yidish, Dalina, Bertha, Nuria e Sarah, passaram.

A forma como autora conseguiu cativar, mesmo sendo um período nefasto e cruel, foi surpreendente. Sempre tivemos a impressão de Hitler ser exaltado por soldados, mas em Beco de Ilusão conseguimos ver que esses mesmos soldados eram contra algumas atitudes desse nazista, mas não podiam lutar contra.

Foi meu primeiro contato com a escrita da autora, apesar de já conhecê-la pessoalmente. Depois de ter lido esse livro, me pergunto: “Porque demorei tanto tempo pra ler?!”. Confesso que a capa sempre me causou estranheza, por não saber o que significava. Sim! julguei o livro pela capa e me arrependo. A capa faz todo o sentido agora!

Recomendo muito essa leitura! Eu sofri com Yidish. Eu chorei, sorri e depois me emocionei muito mais com o FINAL. Que final foi aquele? O livro é muito intenso e abala nossas estruturas.

A mensagem que esse livro passa é de não menosprezar o nosso próximo, achando que é descartável e não merecedor da vida. Não podemos julgar pela cor, raça, religião, opção sexual, e sermos condizentes com o preconceito e agressões. Somos todos iguais. TODOS temos direito de sermos felizes.

Eu li em versão impressa, mas possui em E-book também, na Amazon. A edição impressa é impecável, possui detalhes, desenhos, imagens da época e citações do Führer. No decorrer da história existem marcações de períodos. Ao final foi incluído no apêndice uma espécie de glossário explicando esses momentos. A diagramação está perfeita, a fonte está em tamanho confortável e a obra ainda tem as folhas amareladas. #Amei

BECO DA ILUSÃO foi o melhor livro que li nesse ano até o momento! E.M.O.C.I.O.N.A.N.T.E ♥♥♥♥♥






terça-feira, 9 de maio de 2017

Blog Virando a Página - Por Mary Reis


Gente, não estou sabendo nem começar a resenha deste livro. Não, não é porque ele é ruim, é porque ele é MUITO BOM. A História de Yidish é intensa e incrivelmente emocionante. É uma leitura simplesmente estupenda! Bem, a sinopse já faz um resumo bem completo do livro e qualquer informação a mais que eu colocar aqui será um spoiler (rsrs), mas vou tentar contar um pouquinho da história para vocês.

O livro começa com Sarah Wainness indo para uma apresentação de balé, e mal sabia ela que a apresentação seria sobre a sua vida. Com o início do ato as lembranças de sua infância e de todo o sofrimento vem à tona. Logo nos primeiros capítulos, a gente já começa a se encantar e se envolver completamente com a história.

Yidish vivia com sua família em Karnobat, na Bulgária, porém seu pai recebeu uma herança de um falecido tio, e para que pudesse dar continuidade aos negócios que herdou, toda a família teve que se mudar para Berlim. O que ninguém esperava era o quanto essa mudança afetaria a vida deles, o tamanho do sofrimento que traria para todos.

Em Berlim, Yidish já estava ficando encantada pela cidade e começou a gostar mais ainda depois de descobrir que perto da gráfica de seu pai tinha um teatro e sempre tinha apresentações de balé, de imediato ela se apaixonou pela dança e criou o sonho de ser bailarina, mas nem tudo acontece da forma que esperamos, não é?

Os sonhos dessa garotinha foram esmagados quando os nazistas invadiram sua casa e a separou de sua família. Por sorte, e sem saber, Yidish parecia alemã e graças, ou não, a um segredo revelado, ela pôde sobreviver em meio à guerra. E então, começamos a conhecer a luta diária dela e passamos a sentir todas as suas angustias, tristezas e sofrimento.

A maioria das histórias que li e que envolve a segunda guerra mundial era a visão do lado oposto de Hitler, soldados e cidades que lutavam contra o nazismo e neste livro temos o contrário, soldados que lutam a favor do Fürher, mesmo sem concordar com suas ideias, e eu acho que isso que me deixou mais impressionada com a trama. Ler sobre o quão esse cara era cruel, foi demais para mim, eu só conseguia pensar em como uma pessoa pode ser tão egoísta e tão mesquinha. Não consigo imaginar uma pessoa que seja ardilosa dessa forma.

Enfim, no início de capítulo a autora cita uma frase de Hitler e uma foto da tragédia que foi a guerra, e isso deixou o enredo mais real e eu acabei me apegando e criando uma empatia com a personagem e no fim, não foi uma simples leitura, vivi e sofri com Yidish, Dalina, Bertha, Nuria e Sarah! E o final... que final! Eu tinha a esperança de fosse mais feliz, mas foi o fim necessário. Contudo, digo para vocês que a primeira coisa que me chamou atenção foi a capa. Sim, fiquei intrigada com a capa e logo depois com o título, bateu aquela curiosidade e eu só queria saber que beco era esse e o que tinha acontecido.

Bom, já falei demais desse livro né, vou deixar vocês com a vontade gigante de ler e descobrir a história de Sarah. Eu super indico essa leitura sensacional, que me deixou vidrada a cada virada de página, e espero que vocês gostem tanto quanto eu gostei.







quinta-feira, 27 de abril de 2017

Blog Pétalas de Liberdade - Por Maria


"A razão das pessoas está sendo testada, e a insanidade está vencendo." (página 156)

Sarah Wainness é a narradora, mas antes de ter esse nome, ela teve muitos outros. O primeiro foi Yidish, quando ela era uma garotinha de família judia que se mudou com os pais e os irmãos para Berlim, cidade onde se encantou pelo balé e fez amigos: Anton e Erdmann.

"Berlim agora não era para mim só uma cidade encantadora, mas havia se tornado 
a melhor cidade do mundo. Ela havia me apresentado o balé." (página 25)

Porém, a Segunda Guerra Mundial chegou e a pequena Yidish viu seus sonhos serem destruídos, ainda que em sua aparência ela não se assemelhasse ao demais judeus. Ela foi separada dos pais e passou a não ter mais controle sobre sua vida, tento que obedecer as ordens dos nazistas se quisesse permanecer viva e tentar reencontrar sua família e amigos. Trabalhou em campos de concentração, auxiliou em enfermarias, e até num bordel ela foi parar.

"Um minuto se passou. Depois outro. E chegou o momento em que não pude mais negar para mim mesma o incrível fato de que, por alguma reviravolta triste do destino, eu, Yidish, havia me tornado um fantoche nas mãos dos nazistas." (página 76)


Esse foi o segundo livro que li da Mallerey, o primeiro foi "O Segredo da Caveira de Cristal", leitura que tinha me deixado de queixo caído. Juntando-se a isso as resenhas super positivas que eu tinha lido sobre "Beco da Ilusão" e a temática da Segunda Guerra Mundial (sobre a qual já li um número considerável de obras, e talvez estivesse um pouco cansada do assunto, mas se é um livro da Mallerey vale abrir uma exceção!), confesso que eu estava até com medo de realizar esse leitura. Era olhar para capa e pensar: "Vou chorar horrores!", mas não chorei (mas talvez você chore!).

"Confesso que não gostei de Hitler, porque ele não gostava dos judeus. Não sabia a razão de ele ter essa aversão à nossa família, pois nós nem o conhecíamos e não havíamos lhe feito nenhum mal. Só sabia quem ele era porque a sua foto estava por todos os lugares da cidade." (página 32)



A Sarah/Yidish na infância é uma menina que encanta pelo seu jeito de ver a vida, ela é inocente e, ao mesmo tempo, esperta. Sabe aqueles personagens que te fascinam? Que você vê ganhando vida na sua frente? Que te fazem visualizar as cenas enquanto contam? A Yidish é assim. Acompanhamos seus relatos sobre a vida em Berlim, a casa nova e grande, a relação com os pais e os irmãos, a amizade com Anton e Erdmann, dois garotos alemães, o rádio como companhia e forma de saber as notícias do mundo, as dificuldades que a família começa a enfrentar por serem judeus, a escassez de comida, a falta de dinheiro e de trabalho, as tentativas de burlar o regime nazista... Até que Yidish não existe mais, ela se perde em meio ao terror que se instala na Alemanha, e se não tivesse anjos da guarda improváveis, talvez não pudesse contar sua história.

"Casa. Essa palavra soava tão vaga, tão distante, que pareceu naquele momento não ter nenhum significado. Invadiram o meu lar, minha vida e agora... O meu corpo? 
O que mais eles poderiam querer de mim? Minha alma?! Mas era era livre. 
Já deixara de me habitar há muito tempo." (página 144)


"Beco da Ilusão" é um livro curto, de leitura rápida graças à fluidez da escrita da autora e aos capítulos não muito extensos. É visível que foi necessário um bom trabalho de pesquisa para que a história fosse contata entrelaçando-se com os fatos históricos. Encontramos personagens muito marcantes, além da Sarah: seu pai e sua mãe, o irmão mai velho, as três irmãs, Anton e os pais, Erdmann e o pai, todos tem um perfil muito bem traçado.




A Mundo Uno Editora faz livros bonitos, mas em "Beco da Ilusão" ela se superou! A capa tem tudo a ver com a trama, há ilustrações de arame farpado em algumas partes, as páginas são amareladas, há poucos erros de revisão, a diagramação traz letras, margens e espaçamento de bom tamanho. No final, há algumas notas explicando determinados termos. Na divisória de um capítulo para o outro há uma página preta, com fotos que, em sua maioria, são da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, e algumas são bem chocantes! Além das fotos, há uma frase daquele ser asqueroso chamado Adolf Hitler. A primeira página de cada capítulo é cinza e tem uma ilustração linda de pássaros.


Confesso que ao finalizar a leitura ainda fiquei querendo algumas respostas, minha curiosidade em saber o que exatamente aconteceu com alguns personagens, dois em especial, persiste. Além disso, a explicação para o fato de Sarah ser diferente das outras pessoas de sua família foi algo bem inesperado. Talvez alguns capítulos a mais ou um epílogo maior pudessem acalentar mais o coração dessa leitora que vos fala.

"Tudo o que a memória amou já ficou eterno. 
E entre tudo o que você poderia ser para mim na vida, 
a vida escolheu torná-lo saudade..." 
(página 11)


"Beco da Ilusão" é um livro que recomendo, pela boa escrita da autora, pelos personagens marcantes, e para que tenhamos mais uma visão desse período triste que foi o nazismo. É chocante ver quantas atrocidades foram cometidas, e como cada pessoa (até mesmo crianças) podia ser um pouco má, compactuando com as crueldades contra outros seres humanos. "Beco da Ilusão" é uma leitura rápida, com cenas fortes, sobre amizade, amor e sobre crescer no meio de uma guerra.

"Eu permaneço sentada em silêncio, limpando as lágrimas da viagem ao tempo, 
tomada pela dor profunda da saudade, que é como uma faca de dois gumes... 
Ao mesmo tempo em que refresca a memória, corta a alma." (página 114)






sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Blog Saga Literária

Em Beco da Ilusão Mallerey Cálgara nos apresenta a história de Yidish, uma garotinha que tem nove anos que mora com seus irmãos e pais em Kanobat na Bulgária. Tudo muda na vida de Yidish quando seu pai recebe de herança uma gráfica e com isso eles se mudam para Berlim, em 1931, anos antes de eclodir a Segunda Grande Guerra Mundial. 

Na nova cidade, a pequena Yidish conhece um local que a fascina, pois descobre sua paixão pelo ballet, ela se encanta com tudo que vê e acaba ficando envolta em problemas e enrascadas. É nesse teatro em que ocorrem apresentações de ballet que ela conhece Anton, ele é filho de um dos seguranças, assim como conhece Erdmann, primo de Anton.

"Berlim agora não era para mim só uma cidade encantadora, mas havia se tornado a melhor cidade do mundo. Ela havia me apresentado o balé." p. 25.

Com o tempo uma bela amizade floresce entre os três jovens, juntos eles se divertem e dividem bons momentos. Contudo essa felicidade dura pouco, os anos passam e o Partido Nazista com toda a sua perseguição aos judeus ganha força. Adolescente, Yidish sofre com toda a sua família, restrições são impostas aos judeus e sua família passa a viver quase sempre trancada, com medo e receios, temendo pelo pior. Uma das poucas felicidades que ainda tem é a companhia de Anton, o que ameniza a vida sombria que vai levando.

"A alegria em nossos corações foi reduzida, fazendo-me questionar se poderíamos ser felizes novamente. O que mais roubariam de nós?" p. 60.

Um certo dia, sua casa é invadida por soldados nazistas, a adolescente é separada de sua família e enviada para um campo de concentração. Yidish repleta de temores, teme que nunca mais possa ver as pessoas que ama, ainda sofre os horrores que os nazistas implicam aos judeus. Porém, o que a garota não sabe é que o destino vai fazer com que figuras do passado voltem a cruzar a sua vida. Antes que possa encontrar algumas pessoas importantes em sua vida, Yidish passa por privações e provações terríveis, algo que transformará a sua vida e personalidade.

"À medida que os meses se transformaram em anos, a centelha da esperança que o meu salvador viria me resgatar foi diminuindo." p. 97.

Opinião: Beco da Ilusão é narrado em primeira pessoa e Mallerey apresenta ao leitor uma trama muito bem desenvolvida, impressionando com uma ambientação perfeita. A autora consegue transmitir de forma consistente e com muita nitidez o período nefasto e histórico da Segunda Grande Guerra Mundial em que a obra se ambienta.


A história apresentada pela autora é cativante e envolvente, nos presenteia demonstrando a história e toda a força de Yidish, que em um período terrível de sua vida, jamais abandonou a esperança diante de toda a desumanidade e covardia praticada aos judeus durante o período que Hitler liderou a Alemanha Nazista.


Esse é um drama histórico imponente, que nos faz refletir sobre a brevidade da vida, a falta de amor ao próximo, as atrocidades que o ser humano pode cometer ao outro, sobre também tudo o que fazemos da nossa vida e que podemos melhorar, além de nunca perder a esperança. 


O final do livro me deixou sem palavras, são diversos sentimentos que a autora consegue despertar no leitor. Mallerey surpreende com o desfecho da obra de forma sensacional. Recomendo a leitura de Beco da Ilusão, é um livro intenso e emocionante, que abala nossas estruturas.

A edição está impecável, o livro tem diversos detalhes, desenhos, imagens da época e também citações de Adolf Hitler. Outro detalhe importante são as notas explicativas e alguns acontecimentos históricos que apareceram durante o livro, detalhes esses que enriqueceram a obra. A diagramação está perfeita, a fonte está em tamanho confortável e a obra ainda tem as folhas amareladas.








quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Por Aline Furtado - Blog Literalizando Sonhos

Yidish tem nove anos e mora com seus pais e irmãos em Kanobat, Bulgária. Em 1931, após o falecimento de um tio, seu pai recebe uma herança e consequentemente se muda para Berlim com a família, para assumir os negócios. 

Em sua nova cidade, Yidish descobre uma nova paixão, o balé, e se tornar bailarina se torna o seu sonho secreto. Lá ela também conhece Anton, que acaba se tornando seu melhor amigo, e Erdmann, primo de Anton. Juntos eles se divertem e dividem bons momentos. 
Tudo parecia bem, até que a perseguição aos judeus começa, se tornando um verdadeiro pesadelo.

"(...) Agora, com os olhos ofuscados pelas lágrimas que banhavam meu rosto por sonhos desfeitos, jurei para mim mesma não mais chorar por nada perdido. Sentia-me como um pássaro de asas cortadas, que fica se atirando contra as barras da gaiola." (p. 47)

"Roubaram-nos a liberdade de expressão, tornando-nos fantoches na mão do Estado. Não podíamos falar nem escrever aquilo que pensávamos. Não podíamos ter uma opinião, ou, pelo menos, ela não poderia se tornar pública, existindo apenas na nossa mente." (p. 58)

"A alegria em nossos corações foi reduzida, fazendo-me questionar se poderíamos ser felizes novamente. O que mais roubariam de nós?" (p. 60)

Yidish é inteligente e dona de uma força interior que me surpreendeu. Fica até difícil falar sobre essa protagonista que tanto me encantou e comoveu. A personagem me conquistou desde o início da história e com o desenrolar dos fatos foi ganhando cada vez mais a minha admiração. Passando pelas maiores provações de sua vida, quando eu pensava que ela não suportaria, ela me surpreendia uma vez mais.

Dentre os personagens secundários, Anton, Erdmann ♥ e Franklyn foram os que mais me agradaram. Cada um me cativou à sua maneira. Aliás todos os personagens foram muito bem caracterizados e inseridos na história, alguns com suas atitudes inescrupulosas e cruéis e outros com atitudes louváveis e caráter exemplar. Personagens realmente inspiradores, assim como Yidish.

"(...) Quais palavras escolher que pudessem abrandar o terror sob a cortina de ferro daqueles olhares? O que estriam pensando enquanto se aproximava o último sopro das suas existências?" (p. 109)

"(...) Era como se vivêssemos em um mundo paralelo, em uma realidade alternativa, onde a vida humana valia menos do que um objeto qualquer." (p. 124)

Narrado em primeira pessoa, a história começa com uma narrativa no momento presente, mostrando como está a vida da protagonista atualmente. No decorrer dos capítulos voltamos ao passado e embarcamos na história de Yidish, a partir do momento em que ela se mudou para Berlim até o momento em que ela se tornou quem ela é hoje, Sarah Wainness. Com uma narrativa totalmente envolvente e intrigante, Mallerey Cálgara construiu uma trama tensa e intensa. 

Guerra, crueldade, amizade, amor, Beco da ilusão é um daqueles livros que despertam no leitor os mais profundos sentimentos. Histórias que se passam na Segunda Guerra, tendem a mexer demais comigo, e dessa vez não foi diferente. A cada fato narrado eu ficava cada vez mais angustiada e triste. Apesar de ser uma obra de ficção, é baseada em fatos históricos reais, e a maneira como a autora retratou o holocausto, os campos de concentração e todas as maldades de Hitler e seus soldados, com detalhes na medida certa, faz com que o leitor se sinta vivenciando tudo aquilo, o que torna praticamente impossível não se comover. É doloroso, é chocante, é revoltante.

LEIA A RESENHA COMPLETA





segunda-feira, 21 de novembro de 2016